7 Dicas para Gerir o Orçamento Familiar

Uma das minhas responsabilidades profissionais é a gestão de orçamentos e tesouraria. Já o faço há vários anos e como gosto de o fazer, trato também do nosso orçamento familiar.

Embora à primeira vista pareçam duas formas muito distintas de gerir orçamentos, têm mais semelhanças do que parece. Por isso decidi escrever este artigo para deixar algumas dicas a quem gere o dinheiro lá de casa.

1. Criar um mapa de tesouraria

Uma das ferramentas que mais uso a nível profissional e numa base diária é o mapa de tesouraria. O que é isto? É um mapa que regista as entradas e as saídas de dinheiro, numa base diária, semanal ou mensal e que serve sobretudo para prever o que vai acontecer ao dinheiro, onde o vamos gastar, quando e como. Para além de ajudar a prever gastos e até dificuldades financeiras num futuro próximo, permite também beneficiar de uma sensação de maior controlo.

Para um orçamento familiar, a gestão diária do mapa pode ser desnecessária, pelo que aconselho uma gestão semanal. Se pensarmos que um mês tem apenas 4 semanas, não é difícil criar e gerir um mapa de tesouraria. A prestação da casa tem dia fixo, as escolas são pagas até dia x, contas da luz, água e gás têm datas de pagamento, um aniversário que vem aí, a prestação do carro, os ordenados que chegam a dia certo (se tudo correr bem!).

Criar um mapa destes não é complexo, um excel ou Google Sheet é suficiente e pode ser partilhado com o resto da família para que assim todos estejam a par “para onde foi e vai o dinheiro”.

2. Decidir quem é o responsável

Ser responsável pelo orçamento (seja ele profissional ou familiar) é por vezes uma tarefa que gera alguma ansiedade. Quando somos responsáveis pelo dinheiro que também é de outros, sentimos sempre o peso da tarefa. O facto é que ajuda haver uma única pessoa que é responsável pelo dinheiro e que tem autonomia para tratar da maior parte das coisas.

No entanto, em momento algum esta pessoa deva sentir-se sozinha nesta tarefa. Nem tão pouco se deve isolar. Tal como numa empresa, o CFO reporta a outra pessoa, que no caso da família é o marido/mulher/companheiro. É preciso que os dois estejam a par do que se está a passar a nível financeiro. Partilhar as preocupações com o outro é meio caminho andado para menos noites em branco e ajuda até a criar uma maior cumplicidade entre o casal. E se há um problema para resolver, duas cabeças geram sempre mais ideias.

3. Repensar as despesas

No dia a dia é muito fácil acostumarmo-nos a certas despesas que embora não sendo muito elevadas, levam-nos sempre um valor interessante. Feitas as contas, se somarmos uma despesa aqui mais outra acolá, temos dinheiro suficiente para pagar uma conta da EDP. Uma comissão bancária mensal, uma mensalidade daquele ginásio onde não vamos há meses, um seguro que pode ser negociado. Existem sempre despesas que podem ser optimizadas e que têm um impacto no final do mês.

4. Definir gastos prioritários

Numa empresa existem custos que são prioritários, no sentido de serem despesas que têm de ocorrer obrigatoriamente naquele dia/semana específicos e que não podem ser comprometidos sem que existam consequências graves.

No orçamento familiar essas despesas prioritárias também existem. Falo por exemplo da renda da casa ou do pagamento de algum imposto ao estado. Despesas que ao falharem, implicam mais dinheiro envolvido, coimas, execuções fiscais, penhoras. Dinheiro e anos de vida.

Saber exactamente que despesas são essas, quando ocorrem e se temos dinheiro para as pagar vai certamente aumentar o nível de clareza e por vezes de tranquilidade familiar.

5. Aprender com quem sabe: o orçamento ideal

Sabia que existe um orçamento ideal para uma família? Por exemplo, as despesas com a habitação incluindo contas da luz, água, gás, internet, condomínio, não devem ultrapassar os 35% do valor da receita (ordenados, pensões, etc.). As poupanças devem rondar os 10% do valor, 15% para empréstimos, e assim por adiante.

Existem muitos artigos sobre este tema e estas referências são muito boas para nos ajudarem a criar um orçamento mais saudável.

Este artigo da CGD é uma boa referência: http://saldopositivo.cgd.pt/como-fazer-um-orcamento-familiar/.

6. Em momentos difíceis: gerir expectativas e negociar

Umas das principais lições que aprendi ao longo destes anos a gerir dinheiro de empresas foi: quando não há, não há. Deal with it.

Se não há dinheiro para a renda da casa este mês, não vale a pena estarmos a sofrer em silêncio. Aliás, o silêncio nestes casos não ajuda e muitas vezes só agrava as situações. Em vez de fugir aos telefonemas ou mensagens do senhorio, experimente informá-lo o mais cedo possível do que se está a passar e criar uma expectativa de quando poderá regularizar a dívida. A resposta até pode surpreendê-lo e trazer-lhe algum descanso que tanto precisa nesta altura.

7. Falar sobre dinheiro

O dinheiro é um assunto tabu. Incomoda, traz desconforto, deixa-nos vulneráveis. Mas ao não falar estamos a perder muitas oportunidades. Oportunidade de conhecer melhor alguém, de descobrir novas soluções, de pensar fora da caixa ou até, de ajudar alguém.

Devemos desmistificar este tema. Dinheiro, a falta dele ou o excesso dele, não deve ser um incómodo. Todos o ganhamos, todos o gastamos e certamente quase todos nós já tivemos dificuldades financeiras. E não é por estarmos a ouvir alguém falar em dificuldades que temos a obrigação de lhe oferecer ajuda monetária. Muitas vezes a partilha de como resolvemos um problema semelhante é mais valiosa do que o próprio dinheiro. Para além de ajudar a outra pessoa, ensina-a também a perceber que há soluções para as coisas. Basta um pouco de tranquilidade.

Give it a try.

(Photo by Didier Weemaels on Unsplash)

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